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quinta-feira, setembro 27, 2012

Quando Eu Te Encontrar

Eu já sei o que meus olhos vão querer
Quando eu te encontrar
Impedidos de te ver
Vão querer chorar
Um riso incontido
Perdido em algum lugar
Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar

Eu já sei o que meus lábios vão querer
Quando eu te encontrar
Molhados de prazer
Vão querer beijar
E o que na vida não se cansa
De se apresentar
Por ser lugar comum
Deixamos de extravasar, de demonstrar

Nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar, é isso que quero fazer
É isso que quero dizer

Eu já sei o que meus braços vão querer
Quando eu te encontrar
Na forma de um "C"
Vão te abraçar
Um abraço apertado
Pra você não escapar
Se você foge me faz crer
Que o mundo pode acabar, vai acabar

Composição: Alvaro / Bruno / Miguel / Sheik / Coelho / Beni 
http://letras.mus.br/biquini-cavadao/76633/#mais-acessadas/44600/

quarta-feira, abril 20, 2011

Augusto do Anjos, escritor simbolista

Nascimento: 20 de abril de 1884 em Cruz do Espírito Santo, PB
Morte: 12 de novembro de 1914 (30 anos) em Leopoldina, MG
Ocupação: poeta e professor
Escola/tradição: Pré-modernismo, Modernismo, principal destaque na Escola Simbolista Brasileira

Meu poema preferido:

Psicologia de um vencido
                                            
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

(1884-1913)
Augusto de Carvalho Rodrigues do Anjos foi o poeta da obsessão, tresvairado com os aspectos deprimentes da vida. Formou-se uma linguagem cheia de termos técnicos e eruditos e deleitou-se com os assuntos mórbidos da doença e da morte.

Apesar de tudo, esses termos comprovadores do cientificismo do escritor ganham um tom de poesia e se traduzem numa musicalidade áspera, que tem cativado as sucessivas gerações de seus leitores.

Augusto dos Anjos conseguiu uma simbiose entre as Escolas Naturalista e Simbolista: criou quase um paradoxo, chegando a um misticismo do materialismo.
Deixou apenas um livro: Eu (1912).

Texto extraído do livro Nossa Cultura, Geraldo Mattos, 2a.Série/2o.Grau, Edição Renovada, - 1978 -Editora FTD S.A.

Foi o meu querido e severo professor Tavares (militar) que ministrava a disciplina de Literatura Brasileira, na 2a.B (antigo Colegial ou 2o.Grau e atual Ensino Médio). Era o ano de 1979, quando utilizamos este livro para realizar as atividades de sala de aula, e para aprendermos a ler adequadamente com a pontuação dos poemas e poesias. Foi naquela época que me apaixonei pela obra póstuma Eu de Augusto dos Anjos.

No final do ano letivo, ganhamos a tarefa de decorar um dos poemas estudados no livro Nossa Cultura, desde a influência Positivista no Realismo e Naturalismo com Augusto Comte, Herbert Spencer, Gustave Flaubert, Emile Zola, Antero de Quental.

Autores da Escola Realista no Brasil estudados foram Machado de Assis, Tobias Barreto, Sílvio Romero, Clóvis Bevilácqua, Capistrano de Abreu. O principal escritor naturalista brasileiro foi Aluísio Azevedo. Olavo Bilac ganha o título de príncipe da poesia de nossa terra. Para Raimundo Correia fica a dualidade entre a poesia realista e a verdadeiramente parnasiana.

Em seguida, vem a transição do século com a Escola Simbolista e seu autores Charles Baudelaire, Paul Marie Verlaine e Arthur Schopenhauer. Aqui nas terras "brasilis" destacamos João da Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimarães e o admirável Augusto dos Anjos.

Eu findei por decorar o poema "Psicologia de um vencido", este mesmo aí do início da matéria, e declamei no final do ano letivo, valendo nota de prova oral. Foi uma emoção inesquessível.
Eu sei "decor" o poema até hoje.

quarta-feira, abril 13, 2011

Dia dos Jovens, 13 de Abril

Essa poesia eu recitei em 1977, numa peça teatral, atividade de sala de aula na disciplina História Geral, que os alunos da "minha equipe" da 8ª série do atual ensino fundamental, montamos e apresentamos no Colégio Estadual de 1º e 2º Major Telmo Coelho Filho (bairro Km 18). A peça Rosas de Hiroshima, fez tanto sucesso que fomos convidados para encená-la também no Passo Municipal de Osasco e na TV Cultura em São Paulo, foi memorável e éramos todos tão jovens...

JOVEM DE MEU TEMPO
Maria Alves (minha mãe)

Sou um jovem caminhante de meu tempo
Vivo ouvindo e vendo coisas
Que não me agradam
Às vezes tenho vontade de gritar
Um grito alto, louco, dolorido
Um grito tão forte
Para abalar o mundo
E toda uma estrutura infame
Mundo este com suas exigências
De uma falsa sociedade
Tudo é falso e mentiroso
E o tempo passa
E as vezes eu me acalmo
É preciso
Para que eu possa viver
E eu me acalmo, e me calo
Um dia olhando o céu
Vi que meu mundo era de "AMOR"
Levantei meu rosto
Arregalei meus olhos
Escancarei meu riso
Soltei meus cabelos
Abri meus braços
Minhas mãos pequenas, de finos dedos
E o vento forte soprou
Balançou a relva fresca
Acariciou neu rosto
Brincou com meus cabelos
E vi que era um caminhante do tempo
E se é tempo de amar
Vou soltar-me em seus braços
Em seus lábios
Em seu corpo
Vou recordar e cantar com o Beatles
Vou ser um Capitão Fantástico
Eu posso, pois eu sou um jovem de meu tempo
Vou partir agora, o tempo passa
E eu aqui parado
Tenho que decidir
Conheci pela vida o bem e o mal
E aprendi
Agora me vou
Pois o melhor de tudo
De que vi e ouvi
Aprendi e senti
Agora eu posso falar, e posso gritar
O melhor é "AMAR"
"AMAR" a vida
"AMAR" alguém
Ter alguém para "AMAR"
Para pensar
É tempo de ir, é tempo de "AMAR".

Jovem de meu tempo: crônicas e poesias / Maria Alves
1. ed. São Paulo: EDICON, 1996.  ISBN 85-290-
Maria Alves, escritora e minha mãe
Maria Alves, minha mãe com 18 anos, em 1960
A mulher mais linda do mundo!

segunda-feira, março 14, 2011

Dia Nacional da Poesia

Castro Alves "Poeta do Escravos"
     A palavra "poesia" tem origem grega e significa "criação". É definida como a arte de escrever em versos, com o poder de modificar a realidade, segundo a percepção do artista.
     Antigamente, os poemas eram cantados, acompanhados pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico. Hoje, os poemas podem ser divididos em quatro gêneros: épico, didático, dramático e lírico.
     As linhas de um poema são os versos. O conjunto desses versos chama-se "estrofe". Os versos podem rimar entre si e obedecer à determinada métrica, que é a contagem das sílabas poéticas de um verso. Os versos mais tradicionais são as redondilhas; a redondilha menor tem cinco sílabas, e a maior com sete; os versos decassílabos, dez; os alexandrinos, doze.
     A rima é um recurso que confere musicalidade aos versos, baseando-se na semelhança sonora das palavras do final ou, às vezes, do interior dos versos. Rima, ritmo e métrica são características especiais de um poema e que podem variar, dependendo do movimento literário da época.
     No Brasil, os primeiros poemas surgiram junto com o seu descobrimento, pois os jesuítas usavam versos para catequizar os índios.
     Depois, surgiram outras formas de poesia, como o barroco (1601-1768), o arcadismo (1768-1836), o romantismo (1836-1870), o parnasianismo (1880-1893), o simbolismo (1893-1902), o pré- modernismo (1902-1922), o Modernismo (1922-1962), até a forma de hoje.
     O Dia Nacional da Poesia é comemorado em homenagem ao nascimento de Castro Alves, em 14 de março de 1847. Poeta do romantismo, ele foi um dos maiores nomes da poesia brasileira. Suas obras que mais se destacaram foram: Os escravos (no qual há o seu famoso poema Navio Negreiro) e Espumas flutuantes, cujas características principais são a valorização do amor e a luta por liberdade e justiça. Há outros nomes importantes da poesia brasileira: Alberto de Oliveira, Gonçalves Dias, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros.
Fonte: www.paulinas.org.br